Por que muitas mulheres têm medo de denunciar a violência?

Carol Costa fala sobre medo de denunciar violência doméstica no JM1

O medo de denunciar violência doméstica pode estar ligado à dependência econômica, aos vínculos emocionais, ao medo da exposição e ao receio de que a violência aumente. Por isso, uma mulher que ainda não conseguiu denunciar não precisa de julgamento. Precisa de proteção, informação, acolhimento e uma rede de apoio.

Esse foi um dos temas abordados pela Carol Costa, do Somos Todos Marianas, durante entrevista no estúdio do JM1, no Maranhão.

Ao falar sobre mulheres que têm dificuldade de denunciar seus agressores, Carol destacou que existem diferentes fatores por trás dessa decisão e defendeu uma resposta coletiva: instituições, organizações e sociedade precisam participar da rede de proteção.

EM RESUMO

  • O medo de denunciar violência doméstica pode envolver fatores econômicos, emocionais, medo da exposição e preocupação com a própria segurança.
  • Não denunciar imediatamente não significa aceitar ou ser responsável pela violência.
  • A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência doméstica e familiar contra a mulher.
  • Familiares, amigos, vizinhos e outras pessoas também podem procurar o Ligue 180 para fazer uma denúncia ou buscar orientação.
  • Em situação de emergência ou violência em andamento, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

Sumário

Por que existe medo de denunciar violência doméstica?

“Por que ela não denuncia?” A pergunta parece simples. A resposta não é.

Durante a entrevista ao JM1, Carol Costa chamou atenção para uma realidade importante: muitas mulheres em situação de violência não querem ou ainda não conseguem denunciar o agressor.

Entre os fatores mencionados pela advogada estão a dependência econômica, a dependência emocional e o medo da exposição.

“Acontece que a mulher que sofre violência, ela está machucada demais para poder agir sozinha, então ela precisa desse apoio.”Carol Costa, em entrevista ao JM1

O medo de denunciar violência doméstica não deve ser interpretado como aceitação da violência. Cada mulher vive circunstâncias diferentes e pode precisar de segurança, informação, acolhimento e apoio especializado para conseguir buscar ajuda.

Isso muda a pergunta que fazemos.

Em vez de apenas questionar por que uma mulher ainda não denunciou, também precisamos perguntar: ela consegue procurar ajuda com segurança? Tem informação? Tem alguém em quem confiar? Conhece os serviços disponíveis?

Não denunciar imediatamente não torna a mulher responsável pela violência que sofre.

Violência doméstica não é apenas violência física

Reconhecer a violência é uma parte importante da prevenção.

A Lei Maria da Penha prevê diferentes formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Com a atualização promovida pela Lei nº 15.384/2026, o artigo 7º passou a enumerar seis formas:

  • violência física;
  • violência psicológica;
  • violência sexual;
  • violência patrimonial;
  • violência moral;
  • violência vicária.

A violência vicária ocorre quando a violência é praticada contra filhos, familiares, dependentes ou pessoas da rede de apoio da mulher com a finalidade de atingi-la.

Isso reforça uma mensagem fundamental: uma mulher não precisa esperar uma agressão física para reconhecer que pode estar vivendo uma situação de violência.

Saiba mais sobre as formas de violência previstas na Lei Maria da Penha.

Outra pessoa pode denunciar violência contra uma mulher?

Sim. O Ligue 180 também recebe denúncias feitas por terceiros.

Isso significa que familiares, amigos, vizinhos e outras pessoas que tenham conhecimento de uma situação de violência podem procurar o canal.

A Central de Atendimento à Mulher também fornece informações sobre direitos e sobre serviços especializados da rede de atendimento.

Quando a violência estiver acontecendo ou houver uma situação de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

Na entrevista ao JM1, Carol resumiu a importância dessa participação coletiva:

“Todo mundo precisa ajudar uma pessoa vítima de violência.”Carol Costa, em entrevista ao JM1

Ajudar, porém, não significa confrontar o agressor nem pressionar a mulher a tomar imediatamente uma decisão para a qual ela ainda não se sente segura.

Significa ouvir sem julgamento, oferecer informação e ajudá-la a encontrar atendimento especializado, sempre considerando sua segurança.

A investigação depende sempre de a mulher querer denunciar?

Não existe uma única resposta jurídica válida para todos os crimes. A regra depende da conduta investigada e de seu enquadramento legal.

Um exemplo importante é a lesão corporal praticada contra a mulher em contexto de violência doméstica. Segundo a Súmula 542 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ação penal relativa a esse crime é pública incondicionada.

Em termos simples, isso significa que, nessa hipótese específica, o prosseguimento da persecução penal não depende de representação da vítima.

Mas essa regra não deve ser automaticamente generalizada para todo delito que possa acontecer em contexto de violência doméstica.

Cada situação precisa ser analisada pelas autoridades competentes conforme os fatos e a legislação aplicável.

Consulte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre a Súmula 542.

Este conteúdo apresenta informação jurídica geral e não substitui orientação da Defensoria Pública, autoridade policial, Ministério Público ou profissional da advocacia sobre um caso concreto.

Como a rede de proteção ajuda quem tem medo de denunciar violência doméstica?

Quando existe medo de denunciar violência doméstica, uma rede de apoio pode fazer diferença no caminho até a proteção.

Um dos pontos centrais da participação de Carol Costa no JM1 foi justamente a ideia de rede.

O enfrentamento da violência contra a mulher não é responsabilidade de uma única instituição. Segurança pública, Justiça, assistência, organizações da sociedade civil, famílias e comunidades exercem papéis diferentes.

Carol afirmou trabalhar há cerca de dez anos em contato com a rede de acolhimento às mulheres no Maranhão e destacou a importância de mulheres em situação de violência terem acesso às instituições.

Ela também relatou que, na semana anterior à entrevista, esteve em ações na Região Tocantina e que as atividades alcançaram mais de 12 municípios com palestras e informação.

O número acima é apresentado como relato feito por Carol Costa durante a entrevista ao JM1.

A ideia central é simples: uma mulher não deveria precisar enfrentar a violência sozinha.

Como a Somos Todos Marianas atua no acolhimento e na prevenção?

Durante a entrevista, Carol Costa explicou que a Somos Todos Marianas atua atualmente em três frentes.

1. Acolhimento e orientação

Na sede da organização, mulheres podem encontrar escuta, acolhimento e orientação para procurar uma delegacia ou outra autoridade competente, conforme cada situação.

Carol explicou que, para algumas mulheres, chegar diretamente a uma delegacia pode representar uma barreira. O acolhimento pode funcionar como uma ponte para o acesso à rede especializada.

2. Capacitação e autonomia

A organização também desenvolve ações em comunidades, incluindo capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade com foco no retorno ao mercado de trabalho.

Essa atuação dialoga diretamente com um dos fatores mencionados durante a entrevista: a dependência econômica pode dificultar a busca por ajuda.

3. Prevenção dentro das escolas

A terceira frente destacada por Carol é uma prioridade da Somos Todos Marianas: trabalhar a prevenção com crianças e adolescentes.

Levar informação para as escolas significa agir antes que comportamentos de controle, desrespeito e violência sejam naturalizados como parte dos relacionamentos.

Prevenir também significa ensinar respeito, limites, igualdade e formas saudáveis de convivência.

Enfrentar a violência é indispensável. Ensinar uma nova geração a não reproduzi-la também é.

Conheça também o trabalho de prevenção da violência contra a mulher nas escolas.

Como ajudar uma mulher com medo de denunciar violência doméstica?

Combater o medo de denunciar violência doméstica não significa simplesmente dizer a uma mulher que ela “precisa denunciar”.

Se alguém próximo estiver vivendo uma situação de violência, algumas atitudes podem contribuir para que essa pessoa encontre apoio:

  • escute sem culpabilizar;
  • evite perguntas como “por que você ainda está com ele?”;
  • não confronte o possível agressor, principalmente quando isso puder aumentar o risco;
  • informe sobre o Ligue 180 e sobre os serviços especializados;
  • em situação de emergência ou violência em andamento, acione o 190;
  • ofereça ajuda prática para procurar atendimento, quando isso puder ser feito com segurança;
  • respeite o tempo e as circunstâncias da mulher sem normalizar a violência.

Se houver risco, a prioridade deve ser a segurança.

Também não é recomendável incentivar a mulher a produzir fotografias, gravações ou outras provas diante do agressor quando essa atitude puder colocá-la em perigo.

Onde uma mulher pode procurar ajuda em São Luís?

Em São Luís, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Avenida Professor Carlos Cunha, 572, Jaracaty.

Segundo a Secretaria de Estado da Mulher do Maranhão, o espaço reúne diferentes serviços especializados, incluindo a Delegacia Especial da Mulher, além de outros integrantes da rede de atendimento.

A informação oficial disponível indica funcionamento 24 horas da Delegacia Especial da Mulher. Como os horários dos demais serviços podem variar, confirme pelos canais oficiais antes de se deslocar.

Veja as informações da Casa da Mulher Brasileira no site oficial da Secretaria de Estado da Mulher do Maranhão.

Você também pode consultar o texto atualizado da Lei Maria da Penha.

conteúdo sobre Casa da Mulher Brasileira/rede de atendimento em São Luís

Carol Costa fala sobre violência contra as mulheres no JM1

Na entrevista ao JM1, Carol Costa conversou sobre medo de denunciar, atuação policial, rede de proteção, acolhimento às mulheres e o trabalho preventivo realizado pela Somos Todos Marianas.

A participação reforça uma mensagem que precisa ultrapassar o estúdio de televisão: quando uma mulher está vivendo violência, a resposta da sociedade não pode ser julgamento ou indiferença.

Mais do que perguntar por que ela ainda não denunciou, precisamos contribuir para que encontre informação, acolhimento e caminhos seguros para buscar ajuda.

Compartilhar informação também é participar dessa rede de proteção.

Mensagem para compartilhar no WhatsApp

Você conhece alguém que pode precisar desta informação?

O medo de denunciar violência doméstica pode ter muitas causas. Em vez de julgar, escute, acolha e ajude a pessoa a encontrar orientação segura.

Outra pessoa também pode procurar o Ligue 180 para denunciar ou buscar informações. Em situação de emergência ou violência em andamento, ligue 190.

Compartilhe. Informação também protege.


Precisa de ajuda agora?

🚨 Ligue 190: Polícia Militar, em situação de emergência ou violência em andamento.

📞 Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, para orientação e denúncias.

🏠 Casa da Mulher Brasileira — São Luís: Avenida Professor Carlos Cunha, 572, Jaracaty. A Delegacia Especial da Mulher funciona 24 horas; confirme os horários dos demais serviços antes de se deslocar.

👧 Disque 100: canal para denúncias de violações de direitos humanos, inclusive contra crianças e adolescentes.

💬 Somos Todos Marianas: WhatsApp (98) 98436-1498.

Se você estiver em risco, priorize sua segurança e procure apoio. Você não precisa enfrentar essa situação sozinha.

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